
Maria Feijó de Souza Neves foi uma figura importante para a cultura de Alagoinhas, embora tenha enfrentado falta de reconhecimento em sua terra natal durante boa parte de sua vida. Sua trajetória revela um padrão comum entre muitos escritores brasileiros, o reconhecimento vindo primeiro de fora, antes de ser valorizado em casa.
Nascida em novembro de 1918, ela construiu uma obra marcada pelo lirismo e por fortes referências à Bahia, especialmente às memórias de sua infância e adolescência em Alagoinhas. Mesmo vivendo no Rio de Janeiro, sua escrita manteve viva a identidade cultural de sua origem ,algo que aparece em títulos como Bahia de Todos os Sonhos, Ramalhete e Trovas e Perfil da Bahia.
Além de escritora, teve papel fundamental na formação cultural da cidade como educadora e bibliotecária. Fundar e organizar a primeira biblioteca de Alagoinhas, no Colégio Estadual Brasilino Viegas, foi uma contribuição concreta e duradoura, que vai além da literatura e toca diretamente o acesso ao conhecimento.

A mudança para o Rio de Janeiro acabou sendo decisiva para sua carreira. Lá, encontrou o reconhecimento que lhe faltava em sua terra natal, consolidando-se como escritora premiada e participante ativa de academias literárias em todo o país. Ainda assim, manteve vínculos com Alagoinhas, retornando ocasionalmente para eventos culturais ,embora marcada pela frustração com o desinteresse local pela cultura.
Seu falecimento em 2011, no Rio de Janeiro, e o posterior traslado de seus restos mortais para Alagoinhas têm um forte simbolismo como uma espécie de reconciliação entre a autora e sua cidade.
A homenagem atual, com a biblioteca municipal levando seu nome, representa um reconhecimento tardio, mas significativo. Mais do que isso, ajuda a preservar sua memória e a apresentar sua obra a novas gerações ,algo essencial para que sua contribuição não se perca.

Fonte: CEDOMA/ FIGAM
Colaboração: prof. Maria José Oliveira




