
As manifestações carnavalescas em Alagoinhas remontam ao início do século XX. Registros históricos apontam que, já em 1901, a cidade realizava festejos momescos com desfiles e animação popular, antecedendo o formato que mais tarde ficaria conhecido como Micareta.
O termo Micareta tem origem na expressão francesa Mi-Carême, que significa “meio da Quaresma”. Tradicionalmente, esse tipo de celebração ocorria no período do Sábado de Aleluia ,associado à queima de Judas, prática cultural comum em diversas cidades brasileiras.
Foi por volta de 1926 , que Alagoinhas realizou oficialmente sua primeira Micareta, A festa contou com apresentações de bandas filarmônicas como a Euterpe Alagoinhense e a União Ceciliana, que animavam tanto as ruas quanto os salões dos clubes sociais, espaços centrais da vida cultural da cidade à época.
Durante a década de 1950, a Micareta ganhou novos contornos e passou a ocupar com mais intensidade o centro urbano. Foliões mascarados, desfiles espontâneos e as tradicionais matinês promovidas no Tênis Clube e na Associação Cultural Recreativa de Alagoinhas (ACRA) ,marcaram esse período, consolidando a festa como um dos principais eventos do calendário local.
No final dos anos 1970 e início dos 1980, a Micareta de Alagoinhas alcançou projeção regional. O evento passou a atrair visitantes de diversas cidades, impulsionando o setor hoteleiro, o comércio e a economia informal.
Nesse contexto, blocos tradicionais como As Bregueiras e Mudança do Alecrim, formados exclusivamente por homens, tornaram-se símbolos de uma época. Pouco depois, a introdução do trio elétrico e da Banda Valneijos representou uma importante inovação, abrindo espaço para o surgimento do bloco Amigas da Folia, composto apenas por mulheres, com a proposta de unir diversão, organização e segurança.
Na década de 1990, a Micareta viveu um de seus períodos mais populares. Blocos como Vem Que Fico, Pod’Vim,Lelé da Kuka e Josefina Furacão e muitos outros, passaram a arrastar grandes multidões pelas ruas centrais da cidade. Artistas de projeção nacional, a exemplo de Armandinho, Dodô e Osmar, Daniela Mercury e Ivete Sangalo, Bell Marques dividiram o palco com as bandas Magnífico, Clip , Cacique e muitos outros grandes músicos locais ,fortalecendo a identidade cultural alagoinhense. Iniciativas como o bloco infantil,Pipoca Neném também se destacaram por ampliar a festa a todas as idades.
A última grande edição da Micareta de Alagoinhas foi realizada em 2016. Desde então, o evento permanece como uma das mais marcantes expressões da memória cultural da cidade, preservada nas lembranças de gerações de foliões e na história social do município.

fontes: jornais das épocas, “Tribuna de Alagoinhas”/”Alagoinhas Jornal”/”Alagoinhas,jornal dos Municípios”. FIGAM




