
Estudantes também reclamaram da quadra sem cobertura e muros que garantam a segurança dos estudantes. A coordenadora da escola sustentou as críticas.
Durante a Audiência Pública “Escolas climatizadas, seguras e preparadas para desastres”, ocorrida nesta segunda-feira, 21. O encontro foi aberto com uma apresentação de fotos das condições estruturais do colégio por sete estudantes que relataram que, além do calor, convivem com uma quadra sem proteção ao tempo ou controle de acesso e, até mesmo, um ventilador que pegou fogo ao ser ligado por um aluno.
Uma das alunas disse que o forro do prédio não está em bom estado: “Toda vez que acontece uma chuva, acaba caindo água. Muitas das vezes, quando tem vendo, o forro levanta (…) E já aconteceu de quase desabar em cima da gente”.
A professora Emily trabalha no colégio e apontou que, das três salas com ar-condicionado, apenas uma delas está com o aparelho funcionando.
Em seguida, Alexandra, coordenadora do colégio , também reivindicou celeridade no processo de climatização da escola: “Quem está numa escola, no Nordeste (…) Climatizar escola não é luxo (…) é padrão mínimo de qualidade. (…) Porque quem está na escola somos nós. Quem está acompanhando alunos desmaiando por conta do calor, passando mal, perdendo a concentração, impedindo que o professor faça, de fato, o seu papel, somos nós”.

A palavra da Audiência deu sequência para a secretária de Educação, Rita Bastos. Sem mencionar o caso trazido anteriormente, Rita disse: “Não estamos falando, em muitos casos, de problemas recentes, estamos falando de situações que vêm se acumulando ao longo de décadas”.
Para a secretária, a falta de climatização à insuficiência de investimentos estruturantes em descompasso com as exigências legais, a exemplo da merenda e da educação em tempo integral.
Por fim, Rita apontou que 25% das escolas e creches municipais são climatizadas e possui um plano de expandir para 100% das unidades. Mas não apresentou prazo para a meta e nem especificou quantas salas são de fato climatizadas nos atuais 25%.
O vereador de Salvador e engenheiro ambiental, André Fraga trouxe alternativas ao ar-condicionado como método de climatização. Ele defende que as escolas busquem soluções de controle térmico passivo, como arborização e jardins, que são pedagogicamente enriquecedores.
O vereador também mencionou a reconstrução de 12 escolas de Salvador “pensando em novos materiais, pensando em novo projeto com ventilação cruzada, energia solar, captação de água da chuva, arborização, horta e compostagem” o que, segundo ele, será “mais barato para construir e para operar”.
André é autor da lei municipal nº 9.952/2026, de Salvador, que criou a Política Municipal de Adaptação Climática nas Escolas. O texto se debruça no mesmo tema do Projeto de Lei nº 073/2025, de autoria da vereadora Luma Menezes e vetado pelo prefeito Gustavo Carmo.
A proposição de Luma utilizava o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, Acordo de Paris, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e as discussões da COP28 para embasar a necessidade de Alagoinhas definir a adaptação climática das escolas como política de Estado.
Luma apontou para a propensão que Alagoinhas tem a alagamento e defendeu a arborização como climatização sustentável. Ela disse: “Se nós temos unidades escolares com jardins, hortas, árvores, a gente garante uma adequação térmica para aquela comunidade escolar”. E levou a questão para além das escolas: “Quando a gente vai no comércio e para debaixo de uma árvore, a gente se sente confortável. Mas se a gente chega no Centro da cidade e não tem uma árvore, a gente passa mal, não consegue permanecer”.

Fonte: lumamenezes.com.br




