Então é Natal. E não apenas um dia no calendário, mas uma festa anual, repetida há milênios, carregado de promessas e esperanças renovadas. É a celebração do nascimento de uma criança sagrada. E há também um vovozinho de barba branca egeneroso nas propagandas, seletivo na realidade, que distribui presentes a quase todos. Muitas famílias e amigos reúnem se em torno de mesas com guloseimas clássicas e silêncios antigos.
Nesta época, amar o próximo e perdoar viram palavras da moda, mas curiosamente, os memes da internet ecoam mais alto que os sinos em torno do recém-nascido de Belém. Em compartilhamentos automáticos, lemos frases como,
“Passa o ano inteiro me fazendo raiva e agora quer perdão?”
“Minha família se odeia, e o Natal insiste em confraternizar” Rimos ,
e nesse riso há algo de triste. O ódio vai sendo normalizado entre caixas de sabonetes baratos e abraços apressados. O perdão, um gesto revolucionário, fica guardado para um depois que quase nunca chega. Assim, seguimos distantes do propósito do Natal …Não há perdão,há tolerância temporária, embrulhada para presente.

Mas o Natal tem uma teimosia bonita, ele volta! Ano após ano, atravessa fronteiras, religiões, crenças e descrenças. Sempre retorna oferecendo mais uma chance. Talvez porque saiba que somos lentos para aprender, mas insistentes em tentar. E então ,como diz uma linda canção cristã, “um sorriso e uma inocente brincadeira fazem a gente remoçar o coração”, nos faz seguir adiante.
Perdoar não é fácil , é um ato coragem. É decidir não carregar fardos que não são nossos. É não perder a verdadeira festa natalina, que não está na mesa posta, mas na renovação íntima, que nos fortalece para enfrentar o que está por vir. E se não conseguir perdoar, reconciliar, confraternizar, relaxe, daqui a alguns meses ouviremos a velha e boa frase,” Então é Natal!”…e sempre haverá um novo tempo, uma nova chance, um NOVO ANO.
E, quem sabe, desta vez, um pouco diferente.




