
Antigamente, a gente falava que a grama do vizinho parecia sempre melhor. Hoje em dia, a grama do vizinho é o relacionamento do vizinho, é o trabalho do vizinho, é o corpo do vizinho. Bem, na verdade, muitas vezes a gente nem conhece os nossos vizinhos e se compara a pessoas que nunca viu na vida e que estão muito mais distantes do que tais vizinhos.
Eu pergunto: se você não tivesse na palma da mão tantos detalhes sobre a vida do outro, a sua vida seria mais interessante? Seu relacionamento seria tão ruim? Você se machucaria tanto por ver que seu corpo não é igual ao daquela blogueira ou famosa? Se cobraria tanto por não estar nos lugares onde outras pessoas estão?
Quando a gente usa a vida dos outros para se inspirar, é ótimo. Mas, quando a gente usa para se comparar, cai numa grande cilada: simplesmente comparar uma vida normal a uma vida editada para vender. Vender os produtos pelos quais eles ganham comissões, vender seus cursos, suas mentorias, vender uma ideia, muitas vezes, distante da realidade.
E eu te pergunto isso porque, dias desses, eu me peguei pensando que a minha casa era bagunçada demais, colorida demais e não se parecia em nada com as que eu vejo no Instagram.
Por outro lado, a gente tem tantas pessoas nas quais eu me inspiro para fazer atividade física, para tentar levar uma vida mais saudável. Eu também tento ser essa pessoa para outras pessoas, claro, com muita responsabilidade, sem vender tanto assim um personagem. Porque eu sei que, aqui, nós somos sempre personagens. Só me conhece mesmo quem vive comigo na intimidade. E, olhe lá. O que eu tento é não mentir, nem fingir ser alguém que eu não sou.
Então, da mesma forma, eu tenho que me lembrar de que todas as pessoas que eu vejo por aqui podem ser esses personagens. Alguns mais verdadeiros, outros inventados. Então, me cabe analisar o que faz sentido ou não, o que fazer com aquilo que me inspira e o que eu devo ignorar para não me adoecer.




