
Os lindos olhos azuis refletiam com clareza a personalidade forte de Albertina Rodrigues Costa, essa excepcional multiartista que andou pelo mundo, mas escolheu Alagoinhas para se eternizar em sua arte.
Nascida em Salvador, na década de 1950, foi criada em um colégio interno católico, de onde fugiu, escandalizando as freiras e a sociedade da época. Após o internato, os encontros que a vida lhe proporcionou foram muitos, mas o teatro foi o que mais a encantou. No entanto, já casada, teve seus planos interrompidos. Apesar do amor por seu único filho, o matrimônio lhe parecia uma prisão e, mais uma vez, seu espírito livre a levou para o mundo.

Em um novo relacionamento, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade de Belas Artes. Eram tempos sombrios da ditadura militar no Brasil. Foi presa e torturada. Para sobreviver, deixou o país, e por muitos anos seu paradeiro foi desconhecido.
Mesmo ciente dos riscos, retornou ao Brasil sob o codinome TÉU. Ao ser descoberta, foi presa novamente e levada ao Quartel de Amaralina, em Salvador.
Após ser libertada, decidiu fixar moradia em Alagoinhas, onde já viviam seus familiares. Ali, dedicou-se intensamente às artes, produzindo pinturas ,diversos esculturas e até literatura, sendo inclusive,membrA da Academia de Literatura de Alagoinhas.
Criou grupos de teatro e passou a ocupar o Centro de Cultura de Alagoinhas, que lotava a cada apresentação de suas icônicas peças, como “Aquilo Daquela Coisa” e “Agnus Dei”.

Em sua casa, situada no centro da cidade, criou um pensionato para estudantes e um restaurante natural. Os encontros intelectuais e culturais que promovia sempre rendiam frutos valiosos.
Tina, como era carinhosamente chamada, também se envolveu em diversos projetos sociais, com destaque para a defesa do meio ambiente e o cuidado com os animais, criando a primeira ONG de auxílio aos animais de rua da cidade.
Muito doente, viveu seus últimos dias em Salvador, na casa de familiares, até seu falecimento, em 2015.
Em sua homenagem, a principal sala do Centro de Cultura de Alagoinhas leva seu nome, como forma de manter viva sua memória e permitir que as novas gerações conheçam quem foi nossa Tina/Teu,Albertina Rodrigues Costa.





