De Alagoinhas ao estrelato, a vida que terminou em tragédia e virou lenda

José de Assis Valente, de família oriunda da cidade de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, foi criado em Alagoinhas. Ainda criança, teria sido roubado de sua família de origem e entregue para ser criado por uma família abastada de nossa cidade, onde viveu e trabalhou de forma exaustiva até ser abandonado na adolescência.

O cantor e compositor baiano Assis Valente Crédito: Reprodução/O Cruzeiro


Como o nome sugere, o valente Assis não se deixou abater. Para sobreviver, exerceu diversos trabalhos, chegando inclusive a viver em um circo. Já adulto, formado como protético dentário, mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi ali que descobriu e desenvolveu sua veia artística, revelando-se um compositor de talento raro.

Assinou grandes sucessos da música popular brasileira, como “Boas Festas” e “Cai, Cai, Balão” . No entanto, foi sua paixão e proximidade com Carmen Miranda que lhe trouxeram maior visibilidade, fama e reconhecimento no cenário artístico nacional.

Carmen Miranda gravou 25 músicas de Assis Valente Crédito: Reprodução/O Cruzeiro

Marcado psicologicamente por uma história de abandono e por um amor não correspondido, encontrou no álcool um companheiro constante ao mesmo tempo fiel e perigoso. Envolvido em graves conflitos emocionais e financeiros, Assis Valente tentou tirar a própria vida em diversas ocasiões. Em uma delas, lançou-se do Corcovado, sendo salvo de forma quase milagrosa ao ficar preso em uma árvore, de onde foi resgatado pelos bombeiros.
Contudo, em uma tentativa posterior, ingeriu veneno e veio a falecer. Deixou uma carta de despedida na qual expressava seu desejo de morrer e pedia aos fãs que não o esquecessem. Em um dos trechos mais comoventes, escreveu:

“Vou parar de escrever, pois estou chorando…”
Hoje, Assis Valente é ovacionado pela beleza rara e atemporal de suas canções. Sua obra permanece viva e já foi reinterpretada por grandes nomes da música brasileira, como Novos Baianos, Vanessa da Mata e Ney Matogrosso, reafirmando sua importância na história cultural do Brasil.

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