José de Assis Valente, de família oriunda da cidade de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, foi criado em Alagoinhas. Ainda criança, teria sido roubado de sua família de origem e entregue para ser criado por uma família abastada de nossa cidade, onde viveu e trabalhou de forma exaustiva até ser abandonado na adolescência.

Como o nome sugere, o valente Assis não se deixou abater. Para sobreviver, exerceu diversos trabalhos, chegando inclusive a viver em um circo. Já adulto, formado como protético dentário, mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi ali que descobriu e desenvolveu sua veia artística, revelando-se um compositor de talento raro.
Assinou grandes sucessos da música popular brasileira, como “Boas Festas” e “Cai, Cai, Balão” . No entanto, foi sua paixão e proximidade com Carmen Miranda que lhe trouxeram maior visibilidade, fama e reconhecimento no cenário artístico nacional.

Marcado psicologicamente por uma história de abandono e por um amor não correspondido, encontrou no álcool um companheiro constante ao mesmo tempo fiel e perigoso. Envolvido em graves conflitos emocionais e financeiros, Assis Valente tentou tirar a própria vida em diversas ocasiões. Em uma delas, lançou-se do Corcovado, sendo salvo de forma quase milagrosa ao ficar preso em uma árvore, de onde foi resgatado pelos bombeiros.
Contudo, em uma tentativa posterior, ingeriu veneno e veio a falecer. Deixou uma carta de despedida na qual expressava seu desejo de morrer e pedia aos fãs que não o esquecessem. Em um dos trechos mais comoventes, escreveu:
“Vou parar de escrever, pois estou chorando…”
Hoje, Assis Valente é ovacionado pela beleza rara e atemporal de suas canções. Sua obra permanece viva e já foi reinterpretada por grandes nomes da música brasileira, como Novos Baianos, Vanessa da Mata e Ney Matogrosso, reafirmando sua importância na história cultural do Brasil.




