Quando a memória popular encontra um documento histórico, a história deixa de ser apenas uma lenda e passa a ganhar novos contornos.
Em 1942, um acidente aéreo registrado pela imprensa ocorreu nas proximidades de Alagoinhas. A tragédia vitimou dois aviadores e deixou no ar um episódio que pode estar diretamente relacionado à origem do nome da Rua do Avião, localizada no bairro do Barreiro.

Naquele período, o Brasil vivia um momento de forte incentivo à aviação civil. A Campanha Nacional de Aviação estimulava a criação de aeroclubes e a formação de novos pilotos, fortalecendo o desenvolvimento da aviação em diversas regiões do país.
Foi nesse contexto que uma esquadrilha de pequenas aeronaves iniciou uma viagem pelo Nordeste. O grupo era formado por oito aviões. Três permaneceram em Salvador, enquanto os outros cinco seguiram viagem pelo interior. Foi durante esse percurso que os aviadores passaram pela região de Alagoinhas. O que seria apenas mais uma etapa da expedição acabaria se transformando em uma tragédia.

As aeronaves foram surpreendidas por uma forte tempestade. Com a rápida piora das condições meteorológicas, os pilotos precisaram buscar alternativas para pousar em segurança. Quatro aviões conseguiram escapar da área de mau tempo. Um deles, porém, não teve a mesma sorte.
Tratava-se do pequeno aeroplano “Repórter Pero Vaz de Caminha”. A aeronave continuou enfrentando a tempestade até cair, ficando completamente destruída.
No acidente morreu o piloto Francisco Holanda Távora. Também estava a bordo Vasco Souto Maior, que sobreviveu ao impacto inicial, mas sofreu graves ferimentos. Socorrido, foi encaminhado para a Santa Casa de Misericórdia, onde recebeu atendimento médico. Apesar dos esforços da equipe, não resistiu.
A queda da aeronave não permaneceu apenas na lembrança dos moradores. O episódio foi registrado pela imprensa da época, que documentou o acidente e suas consequências. Esse registro histórico tornou-se uma fonte valiosa para compreender um acontecimento que atravessou gerações e permaneceu vivo na memória da população.
É justamente nesse ponto que a tradição oral encontra a documentação histórica.
Não estamos diante apenas de um relato transmitido pelos mais antigos. Existe um registro contemporâneo aos fatos que reforça a existência do acidente e ajuda a compreender por que, mais de oito décadas depois, a Rua do Avião continua despertando a curiosidade dos alagoinhenses.
Mais do que responder a uma antiga pergunta, essa descoberta evidencia o valor da pesquisa histórica, capaz de reunir documentos e memórias para preservar acontecimentos que ajudam a contar a história da cidade e reconhecer a importância dos relatos daqueles que viveram ou ouviram de perto esse episódio.





