SAF prometeu profissionalização, mas entregou rebaixamento

A transformação em SAF foi vendida como o divisor de águas do Atlético de Alagoinhas, promessa de gestão moderna, equilíbrio financeiro e salto competitivo no Campeonato Baiano. O discurso era de profissionalização, governança e planejamento de longo prazo. O resultado, no entanto, foi o rebaixamento.

A queda não pode ser tratada como fatalidade esportiva. Ela expõe fragilidades estruturais que deveriam ter sido corrigidas justamente com a chegada do modelo empresarial.

Gestão empresarial exige resultado esportivo

SAF não é apenas CNPJ novo, é método, estratégia e responsabilidade. Quando se adota esse modelo, a cobrança muda de patamar. O torcedor deixa de aceitar improviso. Espera-se análise de mercado, montagem criteriosa de elenco, definição clara de filosofia de jogo e estabilidade técnica.

O que se viu foi um time instável, com carências evidentes em setores-chave, troca de comando e ausência de identidade tática. Faltou consistência defensiva, faltou criatividade no meio, faltou eficiência no ataque. Faltou, principalmente, coerência entre discurso e prática.

Se a SAF chegou para profissionalizar, por que o planejamento não blindou o clube de uma campanha tão frágil?

Distância entre promessa e realidade

A narrativa inicial falava em estruturação, captação de investimentos e fortalecimento da marca. Em campo, o desempenho foi irregular desde as primeiras rodadas. A reação nunca foi sustentada. A equipe parecia sempre correr atrás do prejuízo.

A gestão empresarial também precisa assumir que futebol não é apenas planilha, é leitura de cenário competitivo. O Baianão é curto, intenso e punitivo. Erros acumulados custam caro. E custaram.

A SAF assumiu o controle, portanto assume também a responsabilidade direta pelo rebaixamento. Não é herança, não é acaso, é consequência.

Transparência e reconstrução

O momento exige mais do que notas oficiais. O torcedor quer explicações objetivas, metas claras e um plano concreto de retorno à elite estadual. Quer saber qual será o orçamento, qual será o perfil de elenco, qual será o projeto técnico.

Se a SAF pretende consolidar credibilidade, precisa demonstrar capacidade de autocrítica e apresentar um projeto de reconstrução consistente. Caso contrário, o modelo que chegou como solução pode se transformar no centro das críticas.

O rebaixamento do Atlético não é apenas uma derrota esportiva. É um teste de gestão. E agora, mais do que nunca, a SAF precisa provar que foi criada para elevar o clube, não para conduzi-lo ao fundo da tabela.

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Mariangela M.

Psicóloga Empreendedora

Railda Valverde

Professora de História

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