“Mari, tá tudo bem no meu relacionamento, mas tenho medo de estar dependente emocionalmente de novo.”
Assim começamos a sessão. Ela ainda está muito marcada pelo relacionamento abusivo, que viveu anteriormente e tem medo de passar por tudo que passou.
Então lhe perguntei: “Existe dependência emocional em um relacionamento saudável?” E começamos a ponderar… Em um relacionamento saudável existe amor, saudade, vontade de ficar perto, tesão e muita sintonia.
Em que momento isso passa do ponto e se torna dependência? Quando o seu emocional DEPENDE da relação, do querer, do fazer, ou viver do outro.
Ela deseja não ser afetada por discussões, ou conflitos, mas não sei bem se é possível, pois tudo que temos como valoroso nos afeta e faz medo perder. O que não se pode é ficar refém, exemplo: só estou bem se estivermos bem. O que é possível, é não parar a vida pela instabilidade na relação.
Taí um ponto decisivo. Você acha que sua felicidade, humor e tarefas corriqueiras dependem do “bem estar” do relacionamento? Quando não está com a pessoa, sente-se desolado e até paralisado? Em um nível mais profundo, acha que não poderá viver caso a relação acabe? Se as respostas foram “sim” talvez precise, de fato, repensar essa forma de se relacionar.
Toda dependência é nociva, se pensarmos em álcool, drogas, remédios, jogos, comida… O pior do processo é a abstinência, quando não ter aquilo/aquele de que se é dependente, causa desordem interna, desespero, raiva, angústia e tudo mais que assim couber.
Mas amar, se relacionar, viver a dois é uma delícia e não se deve deixar de aproveitar…
Ela se espantou quando disse que a paixão dura até dois anos e depois se constrói o amor. Ela entendeu em que fase está e como se manter observadora de si, do parceiro e da relação, sem deixar de se entregar e viver o que está sendo bom.