Minha mãe sempre dizia que, em toda casa de Alagoinhas, existe um artista seja na música, dança, escultura, pintura, literatura, entre tantas outras formas de expressão. É como se a arte brotasse com a mesma qualidade que a água de nossa terra, abundante e viva.
Um grande marco da história musical de Alagoinhas foi a criação da Euterpe e da Filarmônica, no início do século XX. Essas instituições apresentaram aos jovens da época o encanto da música instrumental, despertando o gosto pela leitura e pela produção de partituras, além de formar gerações sensíveis à arte e à disciplina musical.
Um nome que se destacou nesse período foi o do Maestro Luis Paulo de Santa Izabel. Nascido na capital baiana, veio para nossa cidade, onde desenvolveu um trabalho de imenso valor social e artístico junto à juventude local. Em suas aulas, dava preferência aos iniciantes, pois acreditava que ali poderiam nascer grandes músicos, apaixonados pela arte da regência e pela música instrumental.
Sua paixão o trouxe definitivamente para Alagoinhas, onde viveu até seu falecimento, em 1941. Entrou para a história municipal ao musicalizar o Hino de Alagoinhas, cuja letra é de João Pinho, eternizando em notas musicais o sentimento de pertencimento e identidade local.
O maestro Santa Izabel dedicou sua vida ao ensino da música aos jovens alagoinhenses e, em sua homenagem, o bairro de Santa Izabel passou a carregar seu nome. Uma conhecida lenda urbana atribui essa denominação exclusivamente à fé católica. Contudo, nunca é tarde para aprender, reconhecer a história e fazer justiça à memória de quem tanto contribuiu para nossa cultura .
Acaso ou não, a Praça Santa Izabel guarda em si uma boemia clássica e inspiradora. Dela surgiram grandes nomes da música alagoinhense, confirmando que aquele espaço sempre foi um celeiro de talentos e encontros culturais.
Assim, fé, música, religião e boemia se misturam harmoniosamente, dando um tom singular de originalidade a este bairro bucólico e belo de nossa linda Alagoinhas.





